03/03/10

Como tratar ortomolecularmente a prisão de ventre

A prisão de ventre pode ser definida como a interrupção ou escassa eliminação de fezes e, também, como dificuldade de expulsão. É vista como um dos transtornos mais frequentes nos países desenvolvidos e as causas mais comuns são os hábitos inadequados, como a falta de disciplina horária, beber pouca água, a deficiente ingestão de fibra, o sedentarismo, o laxismo nos músculos intestinais, o uso de determinados fármacos (anti-depressivos, anti-histamínicos, opiáceos, analgésicos, diuréticos, relaxantes musculares, medicamentos para a hipertensão e suplementos de ferro e cálcio), o abuso de laxantes, a falta de exercício e o stress físico e psíquico, assim como outros quadros de origem orgânica. Além disso, há doenças endócrinas e metabólicas, como o hipotiroidismo e a diabetes, e anomalias neurológicas e intestinais, bem como doenças do cólon, do recto ou ânus que também podem levar a que uma pessoa venha a padecer deste problema. Também pode surgir, quando a mulher está grávida. Há ainda que assinalar que a prisão crónica pode ser um sinal de cancro colorectal ou diverticulosis.

Neste texto, porém, vamos centrar-nos na prisão de ventre e nas suas causas orgânicas, de menor gravidade. A primeira coisa a fazer é proceder ao estudo minucioso dos hábitos dietéticos, com o objectivo de corrigir todos os hábitos que não promovam a actividade intestinal. Inicialmente, qualquer tratamento deve ir no sentido de eliminar as causas da prisão de ventre e só depois é que se deverá proceder à reeducação do intestino, adoptando-se novos hábitos.

Hoje em dia, não se atribui ao intestino a importância que ele efectivamente tem, uma vez que a população em geral parece não ter compreendido ainda que ele pode converter-se numa perigosa fonte de substâncias tóxicas, que é necessário evacuar. Se tal não acontecer, estas substâncias podem converter-se em elementos altamente perigosos, levando ao fígado e ao sangue ondas de impurezas, provenientes de fermentações anormais.

CARACTERÍSTICAS GERAIS DA DIETA

Antes de mais, quando se sofre de prisão de ventre, deve-se aumentar a quantidade de alimentos ricos em fibra... mas, de uma forma progressiva. Nos países ocidentais, a ingestão de fibra é bastante deficiente. Esta pode ser solúvel ou insolúvel, sendo que cada uma delas tem uma função. Neste caso concreto, a mais adequada é a solúvel – que está presente nas frutas, verduras e legumes – dado que favorece o peristaltismo intestinal, aumenta o bolo fecal, minimiza a fermentação, impede a flatulência e acelera o trânsito intestinal. Composta por mucílagos, borrachas e pectinas, juntamente com água, ela forma um gel que favorece o esvaziamento gástrico. A fibra insolúvel só deve ser usada em situações verdadeiramente críticas, já que a sua ingestão, separada do alimento que a contém, pode irritar a mucosa intestinal.

Deve-se também incrementar o consumo de água: até 2 litros, no mínimo, mas sempre fora das refeições. Cada dia, chegam ao cólon de 500 a 1.000 cm3 de quimo, mas o volume final das fezes é de 100 a 120 gr. A diferença está no volume de água absorvido pelo cólon.

MAIS ALGUNS CONSELHOS ÚTEIS


1. Evite os alimentos adstringentes (os que favorecem a prisão de ventre);

2. Consuma frutas fora das refeições e nunca como sobremesa;

3. Lembre-se que o azeite favorece a eliminação das fezes, ao lubrificá-las;

4. Substitua os cereais habituais por cereais integrais;

5. Evite o leite de vaca.

O CONTRIBUTO DE ALGUNS SUPLEMENTOS

Ácido fólico: Favorece a eliminação da prisão rebelde.
Ácidos gordurosos essenciais da série omega-6: Têm efeito laxante a partir de 1 grama/dia.

Magnésio: Tem actividade laxante e a sua deficiência produz prisão de ventre.

Fatores lipotrópicos (inositol, metionina, colina): Facilitam a eliminação de gordura pelas fezes.

Complexo B: Responsável pela musculatura intestinal, favorecendo o seu peristaltismo.

Vitamina B5: Acelera o trânsito intestinal.

Probióticos: Resolvem muitas prisões de ventre, causadas por alteração da flora intestinal.

PABA: A sua deficiência produz prisão de ventre.

Ferro: A sua deficiência pode produzir prisão de ventre, assim como o seu excesso.

ALIMENTOS BENÉFICOS

Água: Requer-se um mínimo de água, a fim de que o organismo possa utilizá-la para formar urina, saliva, sucos gástricos e pancreáticos, lágrimas, suor e sangue; além disso, actua como solvente e transportador de substâncias e hidrata as fezes.

Alimentos que contêm fibra: Cereais integrais, legumes, frutas, verduras, hortaliças e sementes. Todas as frutas e verduras, que contêm água.

Uvas passas, figos, tâmaras e ameixas: Contêm grande quantidade de fibra e água. As ameixas contêm uma substância, a dihidroxifenilisatina, cuja função é estimular os movimentos peristálticos. O seu uso continuado elimina a atonia intestinal. É um laxante não irritante, pelo que está especialmente indicado para cianças e idosos.

Maçã: Actua como corrector do funcionamento intestinal e contribui para melhorar a atonia.

Alimentos de acção colerética e colagoga: Os primeiros aumentam a produção de bílis e fluidificam-na; os segundos estimulam o esvaziamento suave da vesícula biliar. Faz bem o consumo de alcachofra, chicória, endívia, escarola, rabanete, mamão, papaia, beringela e azeitonas.

ALIMENTOS PREJUDICIAIS

Pastelaria, bolos industriais e chocolate: Pela sua falta de fibra e o facto de terem calorias vazias.

Pescado: É adstringente, por não conter fibra.

Marisco: Às vezes, causa inflamação do intestino e prisão de ventre.

Carnes: Não contêm fibra e favorecem os processos de putrefacção, pelo que, em casos de prisão de ventre, vai favorecer a auto-intoxicação.

Leite de vaca: É responsável pela maior parte da prisão de ventre verificada em crianças.

FITOTERAPIA
Plantas com princípios activos laxantes:

A) Laxantes antraquinónicos:
-Aloé (Aloe ferox, barbadensis)
-Sene (Cassia angustifolia)
-Frângula (Rhamnus Frangula)
-Canafístula (Cassia fistula)
-Ruibarbo (Rheum officinale, palmatum)

B) Laxantes mecânicos:
-Ameixeira preta (Prunus domestica)
-Borracha garrofin (Ceratonia siliquia)
-Ispagula (Plantago ovata)
-Tanchagem (Plantago major)
-Malva (Malva sylvestris)
-Malvavisco (Althaea officinalis)
-Trigo (triticum aestivum)
-Plantago (Plantago psyllium)

C) Laxantes osmóticos:
-Fresno do maná (Prunus domestica)
-Tamarindo (Tamarindus indica)

Plantas coadjuvantes:
-Alcachofra (Cynara scolimus)
-Menta (Mentha piperita)
-Boldo (Boldea fragans)
-Dente de Leão (Taraxacum officinale)
-Anis (Pimpinella anisum)
-Coentros (Coriandrum sativum)
-Funcho (Foeniculum vulgare)
-Espinho albar (Crataegus monogyna)
-Passiflora (Passiflora incarnata)
-Rabo de gato (Sideritis tragoriganum)

REGRAS PARA REEDUCAR O INTESTINO

1. Aumente a ingestão de água fora das refeições;

2. Defeque todas as manhãs à mesma hora, preferivelmente, depois do pequeno-almoço;

3. Pratique exercício físico com assiduidade;

4. Interrompa o uso de laxantes e substitua-os por lavagens, sempre que se torne imprescindível;

5. Faça, diariamente, uma massagem intestinal circular (no sentido dos ponteiros do relógio), exercendo uma ligeira pressão sobre o intestino.

Obs. importante: Em caso de doença, tanto o tratamento a seguir, como as doses prescritas, é algo que somente um especialista da saúde deve realizar. De modo nenhum, deverá usar este artigo como base para um tratamento, devendo apenas vê-lo como elemento informativo.

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