05/03/10

Conceitos Naturopáticos: Suplementos Alimentares

TERAPIAS COM SUPLEMENTOS ALIMENTARES

O uso de vitaminas e suplementos alimentares é a segunda grande ênfase da naturopatia e talvez seja o mais conhecido de todos os tratamentos da medicina complementar e alternativa, como a vitamina E para prevenir a arteriosclerose e impedir o envelhecimento prematuro da pele ou o ácido fólico para auxiliar o sistema imunológico.

Não há dúvida de que os suplementos alimentares proporcionem importantes benefícios para a saúde. Existem pesquisas convincentes de que materiais derivados de alimentos podem ser eficazes para tratar diversas doenças (Werbach, 1994). Por exemplo, a niacina é eficaz para reduzir os níveis de colesterol e o sulfato de glicosamina é eficaz na redução da dor da artrite. Além disso, os suplementos alimentares desencadeiam menos efeitos colaterais adversos do que as drogas de eficácia comparável.

Os suplementos alimentares são usados de duas formas: para corrigir deficiências alimentares (medicina nutricional) ou em doses altas para desencadear um efeito terapêutico específico (terapia de megadose). Como remédios nutricionais, eles são úteis para corrigir deficiências bastante comuns de muitos nutrientes essenciais, incluindo deficiências de cálcio, ácido fólico, ferro, magnésio, zinco e vitaminas A, B6, C e E. Embora a biomedicina convencional apoie a necessidade de uma dieta equilibrada ou o uso de remédios nutricionais para corrigir deficiências de vitaminas e minerais, o uso da terapia de megadose é mais controverso. A famosa recomendação de Linus Pauling de tomar de 4 mil a 10 mil mg de vitamina C por dia é disso um óptimo exemplo. Segundo os naturopatas, essa dose imensa – equivalente a comer entre 40 e 100 laranjas por dia, ou de 10 a 15 vezes a quantidade diária recomendada oficialmente – é necessária porque o stress da vida moderna e os efeitos de toxinas ambientais fazem com que as necessidades nutricionais aumentem, além do que uma dieta normal pode fornecer, mas tal afirmação permanece controversa entre os nutricionistas .

MEDICINA ALIMENTAR
Os naturopatas sempre acreditaram que frutas, vegetais e grãos integrais são “alimentos naturais” e que esses alimentos sendo refinados perdem a sua vitalidade e as suas propriedades naturais que ajudam a promover a saúde. Em comparação, até há pouco tempo atrás, a biomedicina convencional prestava pouca atenção à dieta. Somente nas duas últimas décadas é que os médiinvestigadores começaram a levar a sério a idéia de que aquilo que as pessoas comem tem grande impacto sobre a saúde. As pesquisas epidemiológicas em grande escala mostram que a dieta desempenha um papel central na prevenção da maioria das doenças crónicas, incluindo as doenças cardíacas, AVCs e ccancro da mama, do cólo e da próstata.

Apesar dessa discordância, os naturopatas normalmente vão além das recomendações da medicina convencional quanto à dieta. Eles não só reduzem o consumo de carnes e gorduras saturadas de forma drástica como também censuram o uso de conservantes, fertilizantes artificiais, pesticidas e hormonas usadas nas quintas modernas. Em vez disso, recomendam o consumo de alimentos orgânicos que sejam produzidos sem adulterações.

ALERGIAS ALIMENTARES

Outro conceito alimentar popular na medicina naturopática tem a ver com a idéia de alergias alimentares ou, de forma mais precisa, sensibilidade a alimentos. Dietas concentradas em evitar alimentos “desencadeadores”, como açúcar, trigo ou laticínios são receitadas para muitos problemas de saúde, da artrite à fadiga crónica (Wheelwright, 2001). Quando suspeitam de sensabilidade alimentar, os naturopatas colocam o paciente numa dieta bastante restrita de eliminação, com um pequeno número de alimentos conhecidos, por raramente causarem reacções alérgicas. Arroz, batatas doces, peru e molho de maçã são as escolhas mais habituais. Se os sintomas começam a desaparecer após algumas semanas na dieta restrita, os alimentos são gradualmente acrescentados de volta à dieta, um de cada vez, enquanto o paciente faz um diário de sintomas como espirros e dores de cabeça.

Alguns naturopatas acreditam que cozinhar os alimentos destrói a “força vital” (juntamente com vitaminas, enzimas e micronutrientes), encontrada na comida. Em comparação, a popular teoria da macrobiótica condena os alimentos crus como sendo insalubres, considerando-os uma das causas de esclorose múltipla, artrite reumática e outras doenças. Os nutricionistas macrobióticos insistem que todos os alimentos, incluindo os vegetais, devem ser cozidos.

MODIFICAÇÕES NA DIETA

Estudos epidemiológicos e experimentais em animais e seres humanos colocam em evidência de que a dieta (na forma de alimentos ou como suplementos) pode ter um importante efeito sobre os factores de risco de determinadas doenças e a progressão das mesmas. Por exemplo, durante os últimos 10 anos, as dietas baseadas em plantas, suplementadas com fibras alimentares e com antioxidantes tornaram-se cada vez mais aceites para na gestão de doenças cardiovasculares. De facto, juntamente com dietas com baixos teores de gordura, exercícios aeróbicos e redução do stress, esses tratamentos, que já foram considerados terapias alternativas, são agora tidos como complementares ou como uma parte do tratamento médico padrão na redução do risco de doenças cardiovasculares (Haskell, Luskin e Marvasti, 1999).

De maneira semelhante, demonstrou-se que dietas basicamente vegetarianas, com teores baixos de gordura e altos de fibras, como a dieta Pritikin e a dieta Ornish, são eficazes para reduzir os níveis de glicose no sangue em pessoas com diabete. Diversos estudos epidemiológicos também sugeriram uma possível diminuição na prevalência de cancro em pessoas que consomem quantidades maiores de frutas e vegetais, talvez por causa de seus efeitos antioxidantes (Primack e Spencer, 1999).

Alguns suplementos mostraram-se razoavelmente eficazes para tratar certos problemas, por exemplo, o sulfato de glicosamina para a osteoartrite, a vitamina C para sintomas de gripe e o zinco para a hipertrofia da próstata. Apesar desses sucessos, todavia, suplementos em megadoses raramente são tão poderosos quanto as drogas, e apenas a terapia com suplementos normalmente não é adequado para administrar problemas de saúde mais sérios.

PREOCUPAÇÕES DE SEGURANÇA RELACIONADOS COM OS SUPLEMENTOS ALIMENTARES

Preocupações com a segurança, como no caso dos remédios com ervas, a FDA (Food and Drug Administration) adverte os consumidores para o facto de que alguns suplementos alimentares não regulamentados poderem conter substâncias perigosas. Por exemplo, em Janeiro de 1999, a FDA solicitou que os fabricantes de suplementos alimentares retirassem de circulação os que contivessem gama butirolactona (GBL), que eram vendidos na internet e em lojas de alimentos naturais e academias de ginástica. Comercializados sob nomes como Blue Nitro, GH Revitalizer e Revivarant, o popular suplemento supostamente formava músculos, reduzia o peso e melhorava o desempenho atlético e sexual. Efectivamente, a GBL contém um composto que também é encontrado em revestimentos de pisos comerciais, e que afecta o sistema nervoso central, reduz a respiração e a frequência cardíaca e pode levar a convulções, perda de consciência e estado de coma. A GBL foi associada a um caso de morte e a efeitos adversos graves em pelos menos 54 outras pessoas (Schwart,1999).

Contaminantes encontrados no L-triptofano – que tinha sido elogiado para o alívio da dor, como remédio para a insónia e como antidepressivo – causaram uma doença grave, a síndrome da eosinofilia-mialgia. Aproximadamente 30 pessoas morreram em 1989 como resultado do uso dessa substância vendida sem prescrição médica (Berge, 1998).

A FDA também adverte sobre o uso de certas ervas e suplementos alimentares por pessoas que também estejam a tomar medicamentos sob prescrição médica. E.g., numa orientação de saúde pública, publicada em Janeiro de 2000, a FDA advertiu que se tinha verificado que a erva-de-são-João reduzia em 57% a eficácia da droga indinavir, indicada para a SIDA (Piscitelli, Burstein, Chaitt, Alfaro e Fallon, 2000). A FDA citou ainda um estudo de Zurique, na Suíça, que relata que esse popular medicamento de ervas para a depressão reduziu os níveis de uma droga contra a rejeição de transplantes (ciclosporina), aumentando, assim, as hipóteses de um paciente de trasplante cardíaco rejeitar o coração doado (Fugh-Berman, 2000)

Abraço fraterno!