4. TOMATEComo é possível que agora que toda a gente sabe que o tomate contém uma substância, o licopeno, que decididamente é um poderoso antioxidante, lhe diga que deve irradicar o tomate da sua alimentação?
É verdade que, recentes estudos apontam esse pigmento natural que dá cor ao tomate, o licopeno, como sendo um poderoso antioxidante que pode diminuir o risco de contrair determinados cancros e prevenir doenças de coração, porém, também não parece ser verdadeiro que o tomate contém uma potente lectina (lycopersicon esculeutum agglutinin) que é uma das poucas que é susceptível de aglutinar todos os grupos sanguíneos (pan-aglutinante) e que não pode ser considerada de ânimo leve, por quanto a mesma faz descer a níveis perigosos um enzima denominado mucina que protege o revestimento dos nossos intestinos. Mas não só, tudo parece indicar que tal lectina tem uma especial predilecção pelos tecidos nervosos, bem como pelo mecanismo celular através do qual a gastridina induz a produção de ácido estomacal.
Por isso não se espante se sentir essa sensação de acidez gástrica depois de comer tomate ou polpa do mesmo. Os grupos A e B são as principais vítimas desta lectina contida no tomate, que por alguma razão não consegue ser destruída pela digestão, mas o O e o AB não estão isentos dos seus efeitos perniciosos, embora este último, de alguma forma, consiga minimizar os danos.
Se você quer evitar esses produtos que considero contra-alimentos, evite o tomate e vá buscar esse licopeno que tanto benefício pode trazer para a sua saúde, às toranjas vermelhas, à goiaba, à papaia, ao damasco, nectarinas, etc., pois todas estas frutas o contêm, inclusive em quantidades superiores ao tomate, e não possuem tão daninhas substâncias.
5. TRIGO
Quase me atrevia a dizer que somos a civilização do pão e do trigo. Não que a maioria da espécie humana tenha alguma vez tido o pão como base da sua alimentação ou sequer o tenha consumido e muito menos que o pão fosse de trigo, porém, ele faz certamente parte dos costumes e hábitos mais enraizados da bacia do Mediterrâneo e da civilização judaico cristã, desde a altura em que Cristo, ele próprio, na última ceia o consagrou.
Recordo que quando era muito pequeno nas aldeias do Nordeste Transmontano e em particular no planalto Mirandês, zona cerealífera, por excelência, pelas condições naturais que tem, se fazia um magnífico e saborosíssimo pão caseiro de centeio, tendo o trigo apenas entrado nos cultivos e na feitura do pão já bastante entrados no século XX.
Convém salientar mais dois aspectos funestos a atribuir ao “abastado” homem do séc. XX.
O romper com cereais como a aveia e o centeio, promovendo o cultivo e o consumo do trigo e destruindo esse pão de centeio integral, pelo depauperado e prejudicial pão de trigo desvitalizado. O trigo encontramo-lo hoje disseminado por um vasto leque de alimentos com especial destaque para o pão, massas e bolos. Trata-se dum “alimento” particularmente rico em glúten e em gliadinas. As gliadinas são potentes irritantes do sistema digestivo.
No trigo encontramos presentes lectinas resistentes à digestão que interferem com o metabolismo e os efeitos das hormonas, imitando p. ex. o efeito da insulina nos receptores desta, daí que muitos diabéticos apresentam anticorpos no seu sangue a estas lectinas.
O seu consumo ocasional não parece ocasionar problemas de maior, nos secretores do grupo A e AB, coisa que já não acontece, tornando-se um contra-alimento extremamente pernicioso, nomeadamente se pertencemos ao grupo dos não secretores, ou aos grupos O e B quando, como hoje, diariamente o consumimos em enormes quantidades nos cereais do pequeno-almoço e no pão, bolos e massas ao longo do dia.
Nesses casos, o trigo vai destruir a vilosidade intestinal, provocando uma série de graves transtornos (inflamação, dor má absorção, prisão de ventre, etc.).
Mas o trigo é ainda um “ladrão de nutrientes”, roubando ao corpo minerais como o zinco e o magnésio. Se você, por exemplo, já tem declarada uma artrite reumatóide, olhe para o trigo como um dos seus piores inimigos, quem sabe ele não teve um papel importante no estado de doença em que se encontra.
Este cereal não é importante, nem muito menos imprescindível, à alimentação humana e está totalmente arredado dum plano de nutrição óptima. Pode substituí-lo com sucesso por pão de centeio, de arroz, de soja, de quinoa, de trigo sarraceno, etc.
Abraço fraterno!
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